No meio da maior crise, recebo do ministro da agricultura, Mendes Ribeiro, essa excelente notícia: o Japão vai importar a carne suína produzida em Santa Catarina! Logo virá a pergunta: por que só a carne suína catarinense? Porque somos o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação! Pouca gente sabe o tamanho da luta e do tempo decorrido para chegarmos a esses dois estágios elevados: obter certificação internacional de estado livre da doença animal, sem vacinação, e ser autorizado a exportar para um mercado exigente como o do Japão.
Um dos momentos mais felizes dos meus dois governos foi aquele em que recebi, em Paris, das mãos do presidente da Organização Mundial de Saúde Animal, o certificado de estado livre de aftosa sem necessidade de vacinação dos animais. Foram anos de luta (o meu então secretário da agricultura, Moacir Sopelsa, pode relatar todos os lances) até chegarmos a obter aquela “chave” que nos abriu novos e exigentes mercados internacionais.
Foram várias as viagens a Tóquio, minhas, do Eduardo Moreira, do Leonel Pavan e do governador Raimundo Colombo. Foram várias visitas técnicas, do nosso pessoal e dos japoneses. Muitos relatórios, inspeções e trocas de informação até chegarmos, quase dez anos depois, a esse momento de alegria. Não demorará para que os Estados Unidos passem, também, a importar a nossa carne. Para lá, também realizei diversas viagens. Na última, fui recebido pelo próprio ministro (lá, eles chamam de secretário) da agricultura, Roberto Avalos (um descendente de mexicanos, nascido no Estado do Novo Mexico, que é muito parecido com o ator…).
A fase mais crucial – audiência pública, onde participam, com força, os representantes dos produtores locais – já foi vencida positivamente. Abrindo o mercado norte-americano para a nossa produção de carne suína, serão escancarados outros mercados importantes, como as Filipinas e de todos os demais países que gravitam sob a influência de Washington.
Para mensurar a importância da conquista do mercado japonês – o que só foi possível porque nós temos o mais alto status de classificação sanitária! — o Japão é o maior importador de carne suína do mundo! No ano passado, comprou 1,2 milhão de toneladas do produto! Certamente, a decisão japonesa levará as autoridades russas a repensarem o embargo que impuseram ao nosso produto, já que os suinocultores catarinenses não ficarão mais tão dependentes dos humores das autoridades agrícolas de Moscou.
Aliás, nos últimos meses, tem havido uma troca de delegações técnicas com esse objetivo. A conquista do mercado japonês pode ser comemorada pelos nossos produtores rurais, pelas nossas indústrias e pelo governador Raimundo Colombo! Se a crise atual do setor suíno é pela falta de mercado (e, consequentemente, do preço justo) para seu produto, em pouco tempo faltará carne suína para vender! E os preços justos voltarão, dentro da lógica econômica da oferta e da procura!

